26 de dezembro de 2015

Ovelha: Memórias de um Pastor Gay - Gustavo Magnani


Autor(a): Gustavo Magnani | Gênero: Drama | Ano: 2015 | Páginas: 232 | Editora: Geração Editorial | Skoob


Sinopse: Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens.Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado.Internado no hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama.Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.

Bom... Essa resenha é bem difícil de começar, então vamos por partes e bem devagar para todo mundo poder entender meu ponto de vista.

Fiquei com medo de postar essa resenha porque já tive problemas com autores brasileiros por "criticar" sua obra. Não sei de onde saiu essa história de que autor brasileiro só escreve Best Seller do New York Times e que você é obrigado a gostar de tudo o que escrevem e dar, no MÍNIMO, cinco estrelas e já tiveram autores que me mandaram mensagem no Facebook para que eu retirasse a resenha ou tirando satisfações de porquê eu tinha dado três estrelas, então imaginem o pé atrás que estou de postar uma resenha com uma estrela.

Gosto muito de livros polêmicos que tentam quebrar conceitos do que achamos certo ou errado e nos trazer uma nova perspectiva sobre o assunto, livros que nos jogam uma verdade escondida na cara e nos deixam pensando por dias, gosto mesmo, mas não é isso que encontramos em "Ovelha: Memórias de um Pastor Gay". Quando um livro é polêmico, ele é por natureza, ou seja, a polêmica vem com naturalidade.
"Agora que o senhor sabe o que de fato sou, talvez não me perdoe. E, se simpatizava com minha figura, talvez a odeie. Eu odiaria."
Enfim, vamos lá... Li "Ovelha: Memórias de um Pastor Gay" no comecinho de outubro, estava numa vibe de bons títulos e curiosa para ler esse livro, já que a sinopse trás informações interessantíssimas sobre o livro que aguçam nossa curiosidade. A leitura começou tranquila até que o autor passou a citar algumas igrejas e religiões que existem.

Uma das que ele citou foi a "Congregação Cristã no Brasil". Não vou me aprofundar no assunto, nem defender qualquer tipo de religião, mas quando o autor, mesmo que em uma ficção, cita lugares, igrejas, coisas, ruas que existam de verdade, acho que cabe fazer uma pesquisa um pouco mais aprofundada sobre o assunto e, não foi bem isso que aconteceu.

Minha avó é da Congregação desde que nasceu, então vivi minha infância muito rodeada por tudo o que envolvia a igreja e sei bem como as coisas funcionavam e funcionam lá dentro. Portanto, sei que várias coisas que o autor falou durante o seu livro sobre a Congregação não são verdadeiras, não funcionam daquela maneira ou foram misturadas com doutrinas de outras igrejas, lembrando que não foi apenas a Congregação que foi citada na obra.
"Clamei a deus pra não me deixar morrer agora e que me livrasse dos sintomas, da dor e da tontura, ao menos por hora." 
Outro ponto negativo para o livro foi o enredo confuso. Por exemplo, o pastor afirma ter se casado virgem de mulher, mas em outra passagem diz que transou mais de cinquenta vezes com uma prostituta, ou a casa sem TV onde pegou o padrasto vendo pornô e outros tantos pequenos detalhes contados aqui e desmentidos ali que minavam, aos poucos, a obra e a vontade continuar lendo.

O livro tem seus pontos positivos por trazer a tona a discussão entre a religião e a homossexualidade, os conflitos familiares, as privações e a culpa. O tema é atual e chamou atenção de muita gente, mas infelizmente o autor pesou demais em alguns pontos, desnecessariamente. Não estou falando da escrita crua e sem censuras, um livro desses merece uma escrita crua.

O autor tinha nas mãos uma história incrível que poderia ter sido conduzida de diversas formas e ter se tornado um livro, além de chocante, instigante e atrevido, mas infelizmente, perdido em meio a seu impeto de chocar os leitores com um pastor gay, Gustavo criou uma história cheia de críticas vazias que, ao invés de chocar, nos fazer pensar e nos colocar nos "sapatos dos outros', simplesmente se perdem em meio a baixaria barata e informações religiosas mal embasadas e irreais.





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