14 de maio de 2016

O Lago Negro - Juliana Daglio




Autor(a): Juliana Daglio| Gênero: YA/Suspense/Mistério | Ano: 2015 | Páginas: 368 | Editora: Arwen | Skoob
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Lago Negro # Livro I

Sinopse: Verônica é uma garota problemática marcada por um passado traumático do qual mal se lembra, mas que lhe tirou o direito à total sanidade.
Ao se mudar para o interior, depois de passar no vestibular, ela se depara com o local perfeito para se inspirar e, finalmente, transformar seus personagens imaginários em um livro. Lagoana é uma cidade nebulosa, úmida, habitada por almas quietas e pouco amigáveis. Porém, o clima obscuro não despertará somente a criatividade, mas também acordará seus fantasmas mais profundos.
Prestes a perder o controle sobre sua trama e sua mente, Verônica conhece um estrangeiro de sorriso cafajeste e olhos azuis e, desconfiada de suas intenções, ela guarda segredo quanto ao seu livro, mas não sabe que Liam também tem os seus.
Verônica nem desconfia, mas eles podem ser a chave para os mistérios que a rondaram durante toda sua vida. Assim, o lago negro de sua imaginação será, definitivamente, o estopim para toda sua loucura emergir. O que será que ele esconde no fundo de suas águas escuras?


Essa é a primeira resenha da colunista Jéssica que vai me ajudar com os livros de Fantasia e Distopia. Espero que vocês curtam a resenha.

"O Lago Negro" é o segundo livro da autora Juliana Daglio [é? Corrija-me se eu estiver errada, humana.]. Ele chegou até mim depois que minha amiga Lu, a senhora toda poderosa deste blog, perguntou se eu não poderia ler um livro de Fantasia e fazer uma resenha para cá. Foram mostradas várias opções, mas "O Lago Negro" foi o que mais me chamou a atenção por sua temática de misturar realidade com loucura.



Devo confessar que, logo no começo do livro, fiquei um pouco decepcionada porque, de fato, não era o que eu pensei que leria. O livro que eu tinha em mente era uma fantasia de verdade, onde vampiros e demônios existiam. No entanto, a obra começa com uma jovem mulher entrando na faculdade de jornalismo e começando uma vida nova ao lado de seu namorado, Enzo.
“Meus monstros sempre viveram embaixo da minha cama, quietos, sussurrando o escuro. Ali, em meu novo apartamento, eles chegavam aos poucos, habitando um por um o piso do quarto, o interior dos armários, os cantos das paredes”
Ao passar das páginas, fui sentindo uma certa antipatia pela personagem principal, Verônica. Ela se mostrava, no primeiro contato, uma jovem frágil, insegura e bastante ciumenta. Seu sentimento de posse com seu namorado Enzo era algo que me dava uma angustia real, mas, na medida que me aprofundei na leitura, percebi que ela só era “insuportável” quando estava ao lado dele, o que logo me veio à cabeça que aquele sentimento de angustia que eu sentia quando os dois estavam juntos, provavelmente, era proposital. A personagem deveria se sentir daquele jeito também, e como um piscar de olhos, a obra passou de “chata e angustiante” para “incrível” aos meus olhos.

Na história, nossa heroína trava uma batalha diária contra problemas mentais. Quando muito nova, sofreu um acidente de carro que a fez perder, além de grande parte de sua sanidade, seu pai, um autor famoso e genial de livros. E bem aí eu tenho uma pequena crítica a fazer, e acredito que muitos dirão que é implicância ou que não interfere na compreensão da trama, o que é verdade, não interfere mesmo, no entanto, acho pertinente destacar este pequeno erro.
“Meu ciúme e insegurança com relação a ele às vezes eram irracionais. Era como se, de repente, minha mente se desligasse da razão e eu visse todas as mulheres lindas e confiantes olhando para ele, querendo tomar meu lugar, desejando-o e se oferecendo. E a meu ver, todas eram melhores que eu”.
Durante todo o livro é evidente a grande influência da cultura americana. Andreas Cattani, o pai da nossa principal Verônica, é um autor muito reconhecido nos Estados Unidos e a maior parte de suas obras não tem tradução para o português. Até aí, tudo bem, mas, ninguém contava que o título do seu livro de maior sucesso nos Estados Unidos estivesse com o inglês errado. “The darkness don’t came alone” é uma frase que não faz sentido verbalmente falando. Eu diria que o título certo seria “The darkness does not came alone” ou até mesmo “The darkness did not come alone”. Como eu disse, não é um erro que influencia de fato o andamento da história, eu diria que apenas que quebra um pouco a coerência, afinal, espera-se que um livro famoso nos estados unidos tenha pelo menos o título escrito corretamente.


"O Lago Negro" é, de verdade, um livro incrível. Ele te envolve no mistério e não subestima sua inteligência. É um suspense imprevisível que mistura realidade com fantasia como poucos livros consegue fazer. Em vários momentos, eu sentia a necessidade de ler mais rápido do que eu conseguia para descobrir logo o que iria acontecer. Eu passei horas presa na leitura que, apesar de bem escrita, não é pedante e nem cansativa.
“Lirial sentou-se no banco atrás de mim, ao seu lado estava Aiden com seus cabelos negros, olhos azuis-claros como o céu. O cabelo da menina brilhava em seu tom de lilás uniforme, enquanto os olhos púrpura me fitavam desafiadoramente”.
A autora brinca com realidade e fantasia de uma maneira fascinante e descreve de um jeito interessante como nossa mente consegue reprimir e distorcer memórias para que nós tenhamos capacidade de lidar com a realidade. Mesmo assim, a autora peca em pequenos detalhes que podem até passar despercebidos para a maioria das pessoas, mas para alguém que entende do assunto em questão, é um erro doloroso de se ler.



Um bom exemplo disso é quando um dos personagens diz que seu amigo foi condenado a prisão perpétua em 1992 aqui no Brasil. É notável a influência da cultura americana nessa parte, já que nos Estados Unidos é possível que alguém seja condenado a passar a vida na prisão, ou até mesmo a pena capital, no entanto, a Constituição Federal de 1988 baniu qualquer tipo de pena perpétua no Brasil. Ou seja, em 1992, o amigo deste personagem não poderia nem ter seu nome no SPC para sempre, quem dirá passar o resto de seus dias na cadeia.

“Talvez fosse indicação de Carlos, talvez ele quisesse impressionar o professor, ou talvez fosse um dos tantos fãs que buscavam tal literatura. A última hipótese era improvável em território nacional.
The darkness don’t came alone, nunca havia sido traduzido para o português”.
No mais, se você não for um perfeccionista que gosta de ver todo e cada detalhe de uma obra perfeitamente executado, e não se importar de ver vários alguns erros de digitação (estes que entendo que não são culpa da autora, mas sim da revisão da editora), "O Lago Negro" é uma ótima opção para quem gosta tanto de fantasia, quanto de mistério e suspense policial. Desejo uma ótima leitura a todos.

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Vinte e poucos anos, Psicóloga Clínica, apaixonada por Psicanálise, viciada em Livros e amante do Rock Britânico. Desde criança foi vidrada em faz de conta e inventava inúmeros personagens para conversar. Assistia a filmes sobre vampiros já aos seis anos, mesmo que tivesse que se esconder atrás do sofá. Na adolescência, dizia que iria ser uma Libélula. Hoje em dia se diz uma adulta confusa, que ainda adora vampiros, não ganhou asas de libélula, mas escreveu um livro sobre elas, transformando seus personagens inventados em pessoas reais, embora sejam feitas de tinta e papel.

Outras Obras:
Uma Canção Para a Libélula - I | Uma Canção Para a Libélula - II 

  
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