9 de agosto de 2016

Ele Não É Isso - Rodrigo Moreira



Autor(a): Rodrigo Moreira  | Gênero: Suspense e Mistério | Ano: 2016 | Páginas: 268 | Editora: Arwen | Skoob
Comprar | Ler um Trecho do Livro

Sinopse: Em pleno marco zero de São Paulo e escondida entre as paredes do edifício Nazareth, uma história, que antes fora de amor, vai se tornar sofrimento, tortura e medo. Em uma noite tranquila, Matias e sua esposa, Felícia, grávida de 6 meses, são atacados por um cão. Para ele, havia sido apenas um susto. Para ela, uma dolorida, mas curável, ferida na perna. No entanto, a ignorante certeza de que tudo acabará bem, desprezando a necessidade de cuidados médicos, causará sérias consequências. O que tal negligência ocasionará às vidas dessa família? Que destino um simples acidente revelará para o mundo? Matias, enclausurado em seu apartamento com seu filho, Júnior, viverá momentos tenebrosos e sombrios que mudarão para sempre a sua história e das pessoas à sua volta. Um pai, um filho e um destino amedrontador.
Uma história de terror, drama? Quem sabe! Pode-se dizer que este é, apenas, um relato sobre um ser que, há muito tempo, deixou de viver, mesmo que a função fisiológica denominada respirar diga o contrário.
           
Esse livro me surpreendeu. Quando o escolhi para resenhar, pensei que se tratava de um enredo sobre serial killers ou psicopatas, já que na sinopse mencionava um menino com transtorno de personalidade antissocial, no entanto, logo nas primeiras páginas podemos ver que, bom, ele não é isso. 

Não se engane achando que, por não ser uma história sobre assassinos em série, não será recheada de sangue, crueldade e matança. “Ele Não É Isso” é, sem sombra de dúvidas, o livro mais sangrento que eu já li e, por isso, demorei (lu que o diga) para terminar de ler e escrever essa resenha. 

A trama se inicia em um tempo futuro, com médicos do instituto de infectologia de São Paulo sendo encurralados em uma sala por zumbis. Logo depois, a narrativa volta ao passado, para nos apresentar, enfim, nosso protagonista, o jovem Matias, um rapaz viúvo e pai de um bebê chamado Júnior.


Olha, eu não desejo nem para o meu pior inimigo o que esse rapaz sofreu na vida. Perdeu a mãe ainda criança e foi malcriado pela tia que morava com um homem que não só o espancava sempre que tinha chance, como também o estuprava constantemente. E foi aí que eu parei de ler o livro pela primeira vez.
“— Sim! Vocês, mas eu falo dos outros, sabe? Me criei muito mal. Meu pai foi embora de casa quando eu era um bebê. A minha mãe, coitada, morreu cedo. Aí, a bruxa da minha tia me criou. Vivi o diabo com ela e aquele cara com quem ela tinha um caso. Só tinha xingos, porradas e... Deixa pra lá! O que tá morto e enterrado, tem que ficar como tá. Não é?”
Por mais que uma descrição literal do abuso contra o Matias criança não seja feita, o modo subentende-se e é bastante explícito e isso realmente mexeu comigo. Mas, como eu continuei pensando no livro por algumas semanas, resolvi dar outra chance para saber como um menino tão traumatizado daria início ao apocalipse zumbi.
“ — O que é isso, garoto? — sussurrou ele no ouvido do menino. — Sou seu “tio”. Pode confiar em mim, tá bom? 
Lambia os lábios enquanto alisava os cabelos da criança.
— Me deixa ir dormir. Já tá tarde.
— Bom, então deixa que eu levo você pra cama. Venha! O titio vai cuidar de você direitinho. Ah, é verdade! Não podemos ir ainda. O Carlão vem também. Temos que esperar por ele. Ele também vai ajudar você a “dormir”.”
O traço mais marcante do trabalho de Rodrigo Moreira é a violência, disso não podemos duvidar. Não conheço o rapaz, mas tenho uma forte impressão que ele adora esse estilo de fantasia sangrenta, onde a violência está sempre presente, até de forma gratuita. Se você tem estômago fraco ou é extremamente sensível, aconselho a procurar outro tipo de leitura, porque este livro é um mar de atrocidades.
              “Ao cruzar a catraca do prédio em direção à saída, viu um tumulto muito grande na entrada. Quando se aproximou, levou um choque: caído ali, na calçada, estava Romeu. Seu pescoço havia sido cortado e o sangue que escorria dele inundava a calçada. Seus braços e pernas se debatiam, misturando a sujeira da rua com a vermelhidão do líquido quente que escorria de seu ferimento”
Em diversos momentos, senti que as agressões descritas realmente não eram necessárias para a construção dos personagens. Era como se estivessem ali só para encher mais páginas e para tornar o livro mais, digamos, polêmico. Podemos notar o fato de que não é apenas Matias que é estuprado. Mais adiante na leitura, me deparei com outro abuso sexual, o de Dona Celina, vizinha e amiga de Matias que o ajuda com seu filho. Neste caso, aconteceu em um flashback de quando ela era jovem e, diferente de antes, não somos poupados de nenhum detalhe.

Algo que vale a pena ser ressaltado sobre o livro é que a história não é contada de forma linear, e isso é o mais interessante a seu respeito. Passado, presente e futuro se misturam com algumas alucinações do personagem principal e fazem com que o leitor tenha uma nova perspectiva de algo clichê como um mundo destruído por zumbis. Mas, também exige um nível maior de atenção, porque fica fácil se perder na história com tantos saltos de tempo. 

Para finalizar, preciso reafirmar que este livro não é para pessoas sensíveis. Não mostra o melhor lado dos seres humanos. O que é contado é como os traumas e remorsos de uma vida sofrida e desregrada podem levar uma pessoa à loucura e, paralelo a isso, o desenvolvimento da doença que trouxe para o mundo o apocalipse zumbi. 

Se você é dessas pessoas que adora ver histórias repletas de violências gratuitas, loucura, sofrimento, e sangue, te recomento “Ele Não É Isso”, e, quem sabe uma visita a um psicólogo também não te fizesse bem?







_ _ _ _

Rodrigo Moreira nasceu em São Paulo em 1979. É psicólogo e descobriu, ainda durante a faculdade, o prazer da escrita. Não lhe bastavam as leituras, fossem de grandes teóricos do desenvolvimento humano ou de fantásticos escritores de literaturas fantásticas. Sentia que era necessário ingressar nesse mundo por meio de suas próprias ideias. Um dia ouviu que, ideias, são “problemas disfarçados de solução”, não ficou parado. Escreveu 2 livros - "A Íncrível História dos Pupus: a incansável procura" e "Ele não é isso". Neste exato momento, está rascunhando alguma coisa ou escrevendo outro livro, pois importante é tornar as ideias realidade.

Outras Obras:

Comente com: ou

0 comentários:

Postar um comentário

 
© LuMartinho | 2015 | Todos os Direitos Reservados | Criado por: Luciana Martinho | Tecnologia Blogger. imagem-logo